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  • Os robôs humanoides estão chegando

    Os robôs humanoides estão chegando

    Este é o quinto texto da série em que mergulho, um a um, nos sinais que registrei na transição de 2025 para 2026. O primeiro artigo, publicado na newsletter da Livework, apresentou todos brevemente (veja aqui). Lembrando que um sinal é uma tendência potencial ainda não confirmada: enquanto tendências têm direção clara e evidências robustas, sinais são emergentes e sujeitos a diversas interpretações. Registrá-los é a minha forma de refletir sobre as mudanças que entendo impactarão substancialmente as nossas vidas no futuro.

    Boa leitura!


    Os robôs humanoides estão chegando

    Quando a IA passa a existir no mundo real

    2025 era para ter sido o ano dos agentes de IA. Até foi, mas para uma minoria que aprendeu a domá-los, como desenvolvedores. A principal promessa de automatizar tarefas complexas e de várias etapas ainda esbarrou em limitações práticas, como erros que se acumulam em sequências longas, dificuldade em contextos ambíguos e a necessidade de supervisão humana constante, o que anulou boa parte do benefício prometido (1).

    Escrevi o parágrafo anterior alguns meses atrás e ele já envelheceu mal. Hoje já vemos agentes se disseminando, por mais que ainda lutem para se tornarem realmente úteis em escala. E se eles sofrem no digital, onde errar não custa quase nada, seria razoável esperar ainda menos de agentes com corpos, em que errar pode resultar em um copo quebrado (ou algo ainda pior).

    Só que os robôs humanoides estão realmente chegando, é inevitável. O NEO, robô caseiro da 1X (e meu preferido), está à venda por US$ 20 mil (ou por US$ 499 por mês). Ele se propõe a prestar serviços caseiros: abre a porta de casa, organiza os cômodos e pega objetos para você. Quando a autonomia não dá conta, um operador humano assume o controle remotamente, e o robô vai aprendendo a cada iteração (2).

    Nas fábricas, aliás, que talvez sejam o principal cenário claro de ROI, os robôs deixaram de ser um sinal e se tornaram uma tendência, com grandes contratos comerciais sendo assinados. Depois de ajudar a montar mais de 30 mil carros com a geração anterior, a BMW contratou uma frota de robôs para sua planta de Spartanburg (3). A Tesla iniciou a produção do Optimus em Fremont e a própria Boston Dynamics, depois de anos (ou décadas?) nos impressionando com as demos de movimentação de seus robôs, agora os treina com modelos de comportamento em parceria com a Toyota. São corpos que já sabiam se mover e agora começam a aprender a se tornar úteis (4). Por fim, Unitree e AgiBot, ambas chinesas, devem responder por quase 80% dos robôs humanoides embarcados pela China, o maior mercado do mundo, em 2026, a um custo de produção de um décimo do estimado para o Optimus (5).

    Então, se 2025 foi o ano da promessa dos agentes, 2026 deve ser lembrado como o ano em que começamos a conviver com robôs. Alguns, mais simples, lhe servirão um café (como já aconteceu no ano passado comigo numa loja da MUJI em Nova Iorque ou no meio de uma rua em Shanghai) ou um drink (como já se observa em bares ou hotéis); outros, mais complexos, lhe servirão de companhia ao sair de compras, carregando coisas e ajudando nas decisões.

    Conteúdo do artigo
    Robô fazendo café na MUJI em NYC (2025)

    Quem os projeta (ou adota) deverá decidir entre dois caminhos: o da humanização, com robôs que falam e parecem cada vez mais humanos, ou o da objetificação, com robôs concebidos para serem percebidos como mais um eletrodoméstico. E a resposta não é tão óbvia quanto pode parecer. Até certo ponto, traços humanos aumentam a aceitação, mas depois despencam no vale da estranheza (6). Minha hipótese é que a escolha certa depende da intenção da experiência, distinção que explorei no texto anterior desta série. Nas interações utilitárias, como a de um robô que entrega um pedido, a objetificação pode ser uma virtude, pois queremos eficiência, não conversa. Já nos raros momentos em que a hospitalidade carrega valor em si, talvez haja espaço para algo mais próximo de nós.

    Há ainda uma variável crucial e essencialmente de design: a confiança. O modelo do NEO significa, na prática, que um operador humano pode enxergar dentro da sua casa numa era em que a credibilidade virou moeda escassa (argumento do primeiro texto desta série). Assim, não imediatamente, mas no futuro, é possível que as empresas que se proponham a colocar robôs nas casas e nos espaços públicos disputem menos pela capacidade técnica de suas engenhocas e mais pelas promessas cumpridas de privacidade e segurança. Nesse território, mesmo que ainda esteja fora desse mercado, a Apple tem se posicionado claramente pró-segurança e pró-privacidade, enquanto outras gigantes ignoram essas virtudes. Deve ser por isso que o NEO é feito com materiais quentes e expressões “fofas”. Humanizar significa reduzir a ameaça em um momento em que a IA gera estranheza e, para muitos, repulsa.

    E ainda tem uma pergunta que sigo sem saber responder: qual será a autonomia deles para circular pelas ruas, sem seus proprietários? Quando fui à China, em 2024, dividi o elevador do hotel com um robô que levava pedidos de comida aos quartos. No primeiro dia, tirei fotos, fiz vídeos, contei para todos no Brasil. No último, nem reparava mais nele. Em quatro dias, o que parecia extraordinário virou paisagem. O mesmo acontece com os carros autônomos que se tornaram frequentes em várias grandes cidades dos Estados Unidos.

    É nessa janela entre o espanto e a invisibilidade que veremos a chegada dos robôs às nossas vidas. E, para quem projeta serviços, o trabalho agora é decifrar como esses agentes que habitarão o mundo físico servirão e serão servidos por suas organizações.


    Notas de rodapé:

    (1) O melhor agente testado no TheAgentCompany, benchmark da Carnegie Mellon que simula um ambiente real de trabalho, completou cerca de 30% das tarefas de forma autônoma (Xu et al., 2025). A matemática ajuda a entender: um agente com 85% de acerto por passo tem cerca de 20% de chance de completar uma sequência de dez passos. O Gartner projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027 e estimou que, dos milhares de fornecedores ‘agênticos’, apenas cerca de 130 ofereciam agentes genuínos — o chamado agent washing (SDxCentral).

    (2) O NEO é entregue realizando tarefas básicas de forma autônoma — abrir portas, buscar objetos, acender luzes; para as mais complexas, um teleoperador humano assume o controle em sessões agendadas e autorizadas pelo dono, que pode borrar pessoas e definir zonas proibidas da casa (Engadget). A estética é deliberada: corpo revestido em malha 3D e aparência propositalmente neutra — ‘mais como um sofá do que uma geladeira’, nas palavras do designer da 1X (eWeek). A fábrica de Hayward, Califórnia, iniciou a produção em escala em 30 de abril de 2026, com os mais de 10 mil NEOs do primeiro ano de produção esgotados em cinco dias (1X).

    (3) Após piloto de onze meses com o Figure 02, a BMW assinou contrato comercial para uma frota do Figure 03 em Spartanburg (The Robot Report).

    (4) A parceria Boston Dynamics + Toyota Research Institute demonstrou o Atlas executando sequências longas de tarefas via Large Behavior Models — capacidades que antes exigiriam programação manual (Boston Dynamics).

    (5) A TrendForce projeta crescimento de 94% na produção chinesa de humanoides em 2026, com Unitree e AgiBot concentrando quase 80% dos embarques chineses, maior mercado global de robôs (TrendForce). A Unitree, que produz a ~US$ 9 mil por unidade, planeja embarcar 20 mil robôs em 2026 (Rest of World; eWeek). No agregado, o Morgan Stanley estima um mercado de US$ 5 trilhões até 2050 (Morgan Stanley).

    (6) Meta-análise no Journal of the Academy of Marketing Science sobre antropomorfismo em serviços (Blut et al.); estudos em restaurantes testam o padrão do vale da estranheza (International Journal of Hospitality Management).


    Transparência sobre o uso de IA:

    Ferramentas de IA apoiaram o desenvolvimento deste artigo. O Claude (Anthropic, Fable 5) atuou como editor: revisou a estrutura e o texto do rascunho original, questionou argumentos e sugeriu contrapontos, pesquisou as referências das notas de rodapé e verificou fatos e fontes antes da publicação. O conceito do artigo, os argumentos centrais, as experiências relatadas e todas as decisões editoriais são do autor, que escreveu e revisou o texto em sua própria voz.

  • Clareza e intencionalidade para cada tipo de experiência

    Clareza e intencionalidade para cada tipo de experiência

    Às vezes o encantamento está em ser invisível

    Não conheço ninguém que faça um Pix mais pelo prazer da transação do que pela necessidade de transferir dinheiro de sua conta para a de outra pessoa ou instituição. A expectativa de praticamente qualquer pessoa é que a transação seja realizada o mais rapidamente e facilmente possível. Do outro lado do espectro, quando vamos ao show da nossa banda favorita, trata-se de uma daquelas experiências pelas quais ansiamos e não queremos que acabem nunca.

    Work or pleasure? Essa era uma pergunta clássica sobre viagens, e podemos encontrar, escondida nela , uma divisão de intenções pouco abordada por quem trabalha com a experiência do cliente. Existem dois extremos valiosos para classificar experiências: as autotélicas (como o show) são aquelas que carregam valor em si mesmas, enquanto as utilitárias (como o Pix) são apenas meios para outros fins, e nas quais a eficiência deveria reinar absoluta.

    É claro que uma determinada experiência pode situar-se em algum ponto do espectro entre o puramente autotélico e o utilitário. Exatamente por esse motivo, perseguir cegamente métricas de principalidade ou de atenção, como o tempo que alguém passa no seu aplicativo, nem sempre é positivo. Por exemplo, quando o objetivo é transferir dinheiro ou comprar algo relacionado a uma necessidade imediata, queremos fazer isso rapidamente.

    O erro fatal de muitas organizações é tentar transformar interações que deveriam ser utilitárias em “experiências uau”, ignorando que esses usuários querem simplesmente resolver seus problemas e seguir suas vidas. Essa clareza de intencionalidade até está presente em algumas instituições, mas ainda é rara.

    Em um projeto para definir o conceito da classe executiva de uma linha aérea, concluímos que poucas e melhores interações seriam o ideal para os passageiros. Neste caso, a intenção de priorizar o descanso trouxe clareza para que recomendássemos com segurança que o papel da tripulação fosse quase invisível em um serviço que costuma pecar pelo excesso de contato (high-touch). Foi a grande sacada que levou o NPS do serviço a subir 30 pontos.

    A maestria de quem trabalha na área está em identificar os raros momentos em que o ordinário pode (e deve) tornar-se memorável, assim como quando não tentar forçar o encantamento onde se busca apenas eficiência. Reconhecer essa diferença é o primeiro passo. Logo a seguir, vem o mais difícil: promover o alinhamento entre as diferentes áreas para uma implementação consistente, uma operação impecável e a evolução contínua do serviço.

  • A interface única se aproxima?

    A interface única se aproxima?

    O fim da era de “um app para cada propósito”

    Em 2017, especulei sobre o que aconteceria quando assistentes virtuais (naquela época, Siri e Alexa) se tornassem realmente úteis. A visão evolutiva traria um assistente que pudesse comprar produtos, reservar passagens, agendar compromissos e acessar qualquer serviço por nós, tornando-se um intermediário universal de todos os tipos de serviço.Siri e Alexa não chegaram lá (1), mas a ideia, que naquele momento parecia distante, permaneceu.

    Quase uma década depois, o cenário que descrevi começa a se materializar. O Google lançou, no começo de 2026, o Universal Commerce Protocol (2), um padrão aberto para comércio mediado por IA. A OpenAI habilitou buscas, recomendações e compras diretamente no ChatGPT (3). E a Anthropic lançou o Claude Cowork, um agente que acessa arquivos e aplicativos no computador do usuário para executar tarefas complexas. Os assistentes não estão mais restritos a responder perguntas em um chat, mas começam a agir por nós.

    A analogia mais instrutiva é com o último grande salto tecnológico: o iPhone. O smartphone da Apple absorveu a câmera, o walkman, o cartão de crédito, o GPS, e vários outros itens. Os assistentes de IA prometem algo parecido, mas numa camada diferente. Em vez de consolidarem dispositivos físicos, é possível que façam isso com interfaces de software, sites e aplicativos de terceiros. Os serviços por trás deles continuarão existindo, o que deve mudar é a porta de entrada. Ao que tudo indica, vamos descobrir restaurantes, comparar planos de saúde, contratar serviços de streaming e comprar passagens aéreas sem sair do assistente.

    A outra hipótese que enxergo é a de copilotos embarcados em serviços. É possível que vejamos agentes transitando entre aplicativos levando informações de um para o outro, como o Claude Cowork já faz nos computadores. Por um tempo, as duas possibilidades coexistirão, mas a tendência de concentração na interface do assistente parece mais forte, pois quanto mais ele resolver sem precisar abrir outro aplicativo, maior a conveniência para nós, e mais difícil será convencer usuários a saírem dali. Dessa forma, a corrida das empresas pode se tornar, agora, a de habilitar seus serviços dentro de assistentes, em vez de inovar seus próprios canais.

    Para os negócios, a implicação se desdobra em duas frentes:

    A primeira é operacional. Os serviços precisarão ser “plugáveis” aos assistentes: APIs abertas, conectores padronizados, conteúdos e funcionalidades estruturados para máquinas. A navegabilidade por humanos, que dominou a estratégia digital por 25 anos, perde relevância. Já se produz cada vez mais conteúdo para motores de resposta (AEO ou GEO) em vez de para mecanismos de busca (SEO), o que significa que, cada vez mais, estamos produzindo conteúdos para máquinas, na expectativa de que sejam levados aos humanos. A mesma lógica agora se aplica à experiência: se seus clientes não visitarem mais seu site diretamente, você precisará garantir que os assistentes saibam acionar seus serviços. E, assim, em um cenário extremo, o problema de criar e manter interfaces pode deixar de existir para a maioria das empresas.

    A segunda frente é estratégica e mais desconfortável. Com o assistente monopolizando totalmente a relação, as empresas perderão o contato direto com seus clientes e, com ele, o poder de influenciar suas experiências. Quando um assistente recomenda três restaurantes, o usuário tende a vê-lo como um conselho de um amigo informado, não como uma publicidade paga. Só que a curadoria é uma caixa-preta: não se sabe que critérios foram usados, se houve viés comercial ou quais opções ficaram de fora. Quem ganhar influência nessa curadoria ganhará influência no mercado.

    O ano de 2025 já mostrou sinais concretos dessa transição. O ChatGPT lançou o equivalente a uma loja de aplicativos semelhante à App Store em 2008, com Walmart, Target e Etsy entre os primeiros parceiros de comércio integrado. O protocolo do Google foi concebido para que qualquer agente de IA possa completar transações com lojistas. E a explosão de integrações nesses sistemas não dá sinais de desaceleração. Resta saber o quanto as empresas estarão dispostas a abrir mão da relação direta com seus clientes. Mas, olhando para o ritmo dos últimos tempos, minha principal dúvida é se eles terão escolha e até quando.


    Notas de rodapé:

    (1) O lançamento da Alexa+ em 2026 para seus clientes nos EUA é um ponto a ser observado, assim como a incorporação do Gemini do Google à Siri, prevista para esse ano.

    (2) O Universal Commerce Protocol (UCP) foi lançado pelo Google na conferência NRF em janeiro de 2026 (TechCrunch), sendo codesenvolvido com Shopify, Etsy, Wayfair, Target e Walmart, e endossado por mais de 20 parceiros, incluindo Visa, Mastercard e Stripe (Google).

    (3) Em setembro de 2025, a OpenAI lançou o Instant Checkout no ChatGPT, usando o Agentic Commerce Protocol desenvolvido com a Stripe, permitindo compras diretas de vendedores Etsy e mais de um milhão de lojistas Shopify (OpenAI).

  • O (quase) fim da barreira dos idiomas

    O (quase) fim da barreira dos idiomas

    Este é o segundo texto que publico de maneira mais pessoal e profunda sobre os sinais que registrei na transição de 2025 para 2026. O primeiro texto publicado, na newsletter da Livework, apresentou brevemente todos os sinais (veja aqui). O anterior a este, que você encontra aqui, abordou “A erosão da verdade compartilhada”.

    Um sinal é uma tendência potencial ainda não confirmada. Enquanto tendências são movimentos com direção clara e evidências robustas, sinais são emergentes e sujeitos a muitas interpretações. Meu objetivo com o registro de sinais é refletir sobre as mudanças que devem impactar nossas vidas de forma substancial no futuro. São movimentos que partem de ou levam a mudanças em comportamentos, tecnologias e/ou negócios. Uma mudança significativa em uma costuma impactar as outras duas.

    Boa leitura!


    O (quase) fim da barreira dos idiomas

    | Quando a Torre de Babel encontra uma resposta tecnológica

    Reuniões com dublagem ao vivo, assistentes que respondem em qualquer língua, óculos que exibem legendas instantâneas, fones que traduzem conversas em tempo real. Compreender e ser compreendido deixa de ser um benefício de uma minoria políglota ou de quem usa intérpretes para se tornar um ato esperado praticamente em todo lugar onde haja um aparelho inteligente (1).

    O “quase” no título do sinal é intencional. Por mais que as traduções instantâneas funcionem bem para transações utilitárias, como reservar um hotel, pedir comida ou revisar um contrato, nuances culturais, humor, duplos sentidos e outras riquezas da linguagem que vão além da mera transmissão de dados ainda não foram domadas pelos algoritmos. O “ainda” da frase anterior também é intencional, mas estamos quase lá… (2)

    O impacto no mundo dos negócios hoje é perceptível. A barreira do idioma já não torna mercados inacessíveis, nem mesmo aqueles que não falam inglês. Aliás, é bem possível que o inglês deixe de ser o território neutro que todos precisam dominar. Equipes distribuídas globalmente não vão mais precisar de uma língua comum. Cada pessoa com o seu dialeto, e tudo certo. E o conhecimento da humanidade, antes fragmentado e reservado a pessoas aptas, nos idiomas em que foi produzido, torna-se universalmente disponível. (3)

    A Torre de Babel, na narrativa bíblica, foi destruída quando humanos tentaram alcançar os céus por meio de uma tecnologia construtiva. Deus os puniu com a multiplicidade de línguas, impedindo a cooperação. Se a IA está desfazendo essa punição, eu não sei. Mas, se for isso, talvez seja ela mesma ou a AGI (Inteligência Artificial Geral), o equivalente à torre e à grande construção de nossos tempos?


    Notas de rodapé:

    (1) Em 2025, o Google Meet lançou dublagem automática em reuniões de vídeo (TechChrunch), a Meta exibiu óculos com legendas traduzidas no campo de visão (Slator), e fones como os da Timekettle passaram a cobrir 43 idiomas com seleção automática do melhor motor de IA (Gizmodo).

    (2) O mercado de tradução automática cresceu 31% em um único ano, atingindo US$ 1,55 bilhão em 2023, mas textos complexos e culturalmente dependentes continuam sendo pontos fracos identificados por especialistas (AbroadLink). Em linha com o anterior, entre os profissionais que usaram tradução automática ou LLMs  em 2025 , 90 a 98% ainda realizam algum nível de pós-edição humana (Slator).

    (3) Pesquisadores da Universidade de Queensland, em artigo publicado no PLOS Biology em junho de 2025, descrevem dois cenários possíveis: um em que o inglês permanece central, mas a IA reduz as barreiras de acesso, e outro em que cada pessoa escreve, lê e revisa em sua própria língua, e a tradução por IA torna o inglês dispensável como idioma único da ciência (Mind). Como observa um artigo da Fast Company, a tradução por IA pode ajudar a superar desigualdades linguísticas globais, permitindo que todos acessem informações em seu idioma nativo (Fast Company).  Até porque, 60% dos consumidores raramente ou nunca compram em sites exclusivamente em inglês, e 73% preferem comprar em sites que ofereçam informações em seu próprio idioma (Weglot).